terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dickens


Charles Dickens,
Viveu e foi um dos maiores escritores que já passaram pela terra. Morreu de morte cerebral em junho de 1870. Foi sepultado no Poet’s Corner ("Esquina dos Poetas"), na Abadia de Westminster. Na sua sepultura está gravado: "Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo."

Maravilhoso parágrafo de uma senteça e várias vírgulas:

"It was the best of the times, it was the worst of the times, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of light, it was the season of darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to Heaven, we were going all direct the other way- in short, the period was so far like the present period, that some of its noisiest authorities insisted on its being received, for good or for evil, in the superlative degree of comparison only. "
The tale of two cities - Charles Dickens

Veja outro parágrafo do mesmo livro de Dickens, agora em português:

“Um fato extraordinário a merecer reflexão é o de que de cada ser humano se constitui num profundo e indecifrável enigma para todos os demais.
Sempre que entro numa grande cidade à noite, considero com solene gravidade que todas aquelas casas fechadas e escuras encerram seu próprio segredo, que cada aposento em cada uma delas oculta um mistério, que cada coração pulsando nesas centenas de milhares de peitos esconde algum segredo para o coração que está a seu lado! Alguma coisa do horror, até mesmo da Morte, tem a ver com esse fato.
Não mais posso virar as folhas daquele querido livro que amei e em vão pretendi ler.
Não mais posso contemplar as profundezas dessas águas insondáveis nas quais, à luz fugaz dos relâmpagos, vislumbrava tesouros enterrados e outras preciosidades submersas.
Estava escrito que o livro deveria fechar-se para todo o sempre, quando eu lera apenas uma página. Estava escrito que as águas se imobilizariam sob um gelo eterno, enquanto a luz brincava em sua superfície e eu me detinha, ignorante, às suas margens.
Meu amigo está morto, meu vizinho está morto, meu amor, a eleita de minha alma, está morta; e essa é a inexorável consolidação e perpetuação do segredo que sempre existiu nessa individualiadde, e que eu próprio também carregarei comigo até o fim da minha vida. Dormirá, nos cemitérios desta cidade por onde agora passo, alguém mais inescrutável do que é para mim qualquer de seus habitantes vivos e ativos, ou do que sou eu próprio para eles?”
“Um Conto de Duas Cidades”, de Charles Dickens

Romances principais

The Pickwick Papers (1836)
Oliver Twist (18371839)
Nicholas Nickleby (18381839)
The Old Curiosity Shop ("Loja de Antiguidades")(18401841)
Barnaby Rudge (1841)
A Christmas Carol ("Canção de Natal" ou "Um canto de Natal") (1843)
The Chimes (1844)
The Cricket on the Hearth (1845)
The Battle for Life (1846)
Martin Chuzzlewit (1843-1844)
Dombey and Son (18461848)
David Copperfield (18491850)
Bleak House ("A Casa Abandonada", "Casa desolada" ou "Casa sombria") - (18521853)
Hard Times ("Tempos Difíceis") (1854)
Little Dorrit ("A pequena Dorrit") - (18551857)
A Tale of Two Cities ("Um conto de duas cidades") (July 11, 1859)
Great Expectations ("Grandes Esperanças") - (18601861)
Our Mutual Friend (18641865)
The Mystery of Edwin Drood (inacabado) (1870)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Clímax



Clímax. Clímax. Max clima. Uma noite, um vinho e um sofá. Dois copos. O fluxo é arrebatador. Flores e folhas verdes espalhadas pela varanda. A garrafa holandesa foi quebrada ao mesmo tempo que um pedaço de você chegava pela primeira vez dentro de mim. A objetividade é a essência da arte dramática. E do amor? Será?
Fui amada antes do amor chegar. Te lambi e me perdi nas entranhas recheadas de pelos das quinas do teu ser.
Clímax. Desenho dos persongens. Que pessoa atrás da persona haverá? Quem somos nós?
Clímax, organização de ações. Uma ação após a outra, encadeando acontecimentos em imagens inesquecíveis.
Parece que foi ontem, parece que poderia ser pra sempre. Talvez, o poder do argumento nos traga de volta a sensação do apogeu. Todavia, já há um desenrolar da estória feita de um momento infinito que acordou entre dois corpos. É óbvio que o pra sempre não se demora a partir e concomitantemente a estória insiste em se prorrogar. O fluxo casual pede para ser costurado pelas suaves mãos de um artista. O ápice dramático não chega a lugar algum sozinho.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Nina Simone



Ain't Got No / I Got Life
Nina Simone

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class
Ain't got no skirts, ain't got no sweaters
Ain't got no faith, ain't got no beard
Ain't got no mind
Ain't got no mother, ain't got no culture
Ain't got no friends, ain't got no schooling
Ain't got no name, ain't got no love
Ain't got no ticket, ain't got no token
Ain't got no God
What have I got?
Why am I alive anyway?
Yeah, what have I got?
Nobody can take away
I got my hair,
I got my head
I got my brains,
I got my ears
I got my eyes,
I got my nose
I got my mouth, I got my smile
I got my tongue, I got my chin
I got my neck, I got my boobs
I got my heart, I got my soulI got my back,
I got my sex
I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood
I've got life,
I've got my freedom I've got the life
I got a headache, and toothache,
And bad times too like you,
I got my hair, I got my head
I got my brains, I got my earsI got my eyes,
I got my noseI got my mouth, I got my smile
I got my tongue, I got my chinI got my neck,
I got my boobiesI got my heart,
I got my soulI got my back, I got my sex
I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood
I've got life, I've got my freedom
I've got life,
I'm gonna keep it
I've got life, I'm gonna keep it
Dois vídeos ótimos da musa Nina Simone.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Linguagens do amor



Um exercício prático aos amantes, casados, namorados e afins.


Ontem ouvi falar de um livro que eu nunca compraria em uma livraria, confesso. Porém, as falas de um grande amigo me tocaram na alma. Ele citou o tal livro: As cinco linguagens do amor, Gary Chapman.
Que bom a paixão! Uma delícia! Um sentimento forte, que nos faz fazer tudo para agradar o outro. Tudo fica lindo quando a paixão impera! Nesse estágio de envolvimento amoroso nós não nos encontramos conscientes dos defeitos e fraquezas dos outros. Porém, depois de um tempo nossos sentimentos mudam. As coisas que não nos irritavam começam a incomodar e já não estamos dispostos a fazer “tudo”que o outro quer. Torna-se muito difícil agradar o outro quando não queremos.
Então, o casal se encontra na “crise chinesa” perigo/oportunidade. Ou aprende-se a linguagem do outro ou aprende-se a comunicar seu amor ou a relação enfrentará problemas sérios. As pessoas são muito diferentes na maneira em que mostram o amor e na maneira que querem ser amados. Imagine que o outro precisa se sentir amado tanto quanto você, entretanto não “como”você. Se os dois percebem o que é importante para o outro a relação provavelmente prospera.
Haja generosidade! O outro pode ser completamente diferente de você! Segundo Gary, exitem cinco linguagens fundamentais que expressamos nosso amor e nos sentimos amados:
Palavras de afirmação- Tem pessoas que precisam de sentenças afirmativas para se sentirem amadas. Para estas muito mais importante que as críticas são as afirmações: vai lá amor! Você está linda! Você é bom! Você consegue! E assim por diante.
Serviço- Ajuda prática por parte do outro. Aquele macarrão especial feito com amor, um bilhetinho de apaixonado, lavar uma louça, dar uma carona na hora do rush, etc. Tem pessoas que se sentem amadas quando o outro dá demonstrações “práticas”.
Presentes- Notem isso não tem nada a ver com condição financeira. É aquela coisinha que você viu e lembrou do seu amor. Um caju doce que você traz, um par de meias, uma jóia, uma lixa de unhas colorida, flores, bombons, camiseta de time de futebol, etc. Tem pessoas que se sentem amadas quando são lembradas dessa maneira. Estas vão ao êxtase quando ouvem: Lembrei de você!
Intimidade física- Há pessoas que gostam de ficar “grudadinhas”. Isso não significa carinho nas partes genitais necessariamente. Andar de mãos dadas, sentar juntinho na hora do almoço, um beijo quando se chega em casa. Tem pessoas que se sentem amadas com o toque físico.
Tempo de qualidade- Pra estes ainda que sejam só 10 minutos no dia que fiquem juntos o tempo precisa ser intenso e pleno. Algumas pessoas se sentem amadas quando o outro dedica um tempo de qualidade para demonstrar seu amor. Chegar em casa depois de ter estado o dia todo fora, ligar a TV e pedir para a esposa sair da frente seria uma catástrofe. É preciso considerar que uma semana de viagem pode significar uma ausência que pode ser compensada em menos de um dia.
Voltando a proposta do exercício prático; que tal observar o seu companheira/o e identificar quais são as duas linguagem mais fortes que se sente amada/o. E claro, é necessário praticar essas linguagens com o outro. Lembrem-se o outro não é igual você. Você pode gostar de palavras de afirmação e serviços. Detestar ficar “grudadinho”, por exemplo. Mas, se seu companheira/o gosta porque não aprender a linguagem do outro?
Achei bem generoso. Parece que pode funcionar em todas relações pessoais. Generosidade gera generosidade. Desprezo gera desprezo. Recebemos de volta o que doamos. Se doarmos nosso amor certamente seremos amados. Perceber o outro e ser percebido parece ser uma das chaves do amor.

Insígna de um calabouço


Salvador Dalí
A maior parte das vezes, a chave da prisão está dentro da cela.
Muitas vezes, dentro de nossas costelas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Emancipação da anguzada



O Desmame Do móvel-Alimento. Salvador Dalí



" No entender de Sartre, estamos "condenados à liberdade"; não há limite para nossa liberdade, exceto o de que "não somos livres para deixarmos de sermos livres." Porque não há nenhum Deus e portanto não há qualquer plano divino que determine o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Nada o força a fazer o que faz. "Nós estamos sozinhos, sem desculpas." O homem não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que faz.
A angústia. Seguindo a Kierkegaard, Sartre usa o termo "angústia" para descrever essa consciência da própria liberdade. Nós estamos livres porque nós não podemos confiar em um Deus ou na sociedade para justificar nossa ação ou para nos dizer o que e quem nós somos. Nós estamos condenados porque sem diretrizes absolutas, nós devemos sofrer a agonia de nossa tomada de decisão e a angústia de suas conseqüências. A angústia é, então, a consciência da própria liberdade... A angústia é a consciência dessa liberdade de escolha, a consciência da imprevisibilidade última do próprio comportamento... Uma pessoa à beira de um penhasco perigoso tem medo de cair, e sente angústia ao pensar que nada o impede de se jogar lá embaixo, de se lançar no abismo.. O pensamento mais angustioso de todos é quando, num dado momento, nós não sabemos como nós iremos nos comportar no momento seguinte. "Sartre por Rubem Queirós Cobra

Tem um escalar as mahãs sonolentas
para se enxergar além dos sonhos - eu mesma

Angústia
Sabotagem
Feliz eu?
Quando vou deixar de me trair?
Quando vou deixar de calar verdades na terapia?
Quando vou ver realmente quem sou eu?
A massinha que moldei meu ser desmoronou
Estava fraca a procriaçào que saia de mim:
Pedaços de orgàos, pele, cabelo, olhos
Estou no chão
Criei um ser humano de massinha
Tinha uma perna tão resistente
Porque não aguentou a cabeça?
Será que os olhos estavam abertos demais?

Vigília


Anoitece no peito um buraco profundo.
A dor é do tamanho do mundo.
Mundo tem tamanho? Tem.
Então, qual seria a medida do universo?
Alguém tem fita métrica?
Que extensão o globo tem?
Será a dor mensurável ?
Um orifício inflamado no Universo será o infinto?
Anoitece palavras na madrugada.
E merdas no ventilador
Nessa taciturna madrugada findei com um sonho.
Tristonha acordei sem dormir.