sábado, 8 de agosto de 2009

Isadora Duncan , uma paixão






Quando morei em NY tive a oportunidade de estudar e praticar a dança de Isadora Duncan. Que lindas as coreográficas que são pura poesia! Os gestos de Isadora eram sempre como obras poéticas. Sou fã dessa mulher inesquecível.
Depois de algum tempo de aulas da técnica Isadora Duncan senti extremo desejo de falar sobre ela: a vida e a dança. Houve uma idéia de montar um espetáculo no Brasil. A idéia só se concretizou em pesquisa e um ensaio fotográfico.
As fotos acima são parte desse ensaio feito por Sérgio Audi. A parceira Paula Hernandes neste dia dançou comigo belas músicas clássicas em homenagem a deusa da dança Isadora Duncan.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Isadora Duncan





"A minha arte é um esforço para exprimir em gestos a verdade do meu ser. Foram-me precisos longos anos para encontrar o menor gesto, absolutamente verdadeiro. As palavras têm um sentido diferente. Diante do público que acudia em massa às minhas apresentações, jamais hesitei. Dava-lhes os impulsos mais secretos da minha alma. Desde o início, nada mais fiz do que dançar a minha própria vida." Isadora Duncan
"Eu só poderia acreditar num deus que soubesse dançar.
Aprendi a andar e desde então deixo-me correr.
Aprendi a voar e desde então não preciso que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora eu voo... agora um deus dança em mim."Isadora Duncan
Isadora Duncan causou escândalo em sua época ao trocar os Estados Unidos pela União Soviética, afirmando: “Prefiro viver de pão preto e vodca e sentir-me livre, a gozar as delícias da vida americana sabendo-me prisioneira.”
Ela era a segunda dos quatro filhos do poeta Joseph Charles e da pianista e professora de música Dora Gray Duncan. Nasceu em 1978, em São Francisco, e viveu uma infância atípica para os padrões da época. Filha de pais divorciados, ela, a irmã e os dois irmãos, foram criados na pobreza por sua mãe solteira, e além de receberem a educação formal, a mãe fazia questão de dar-lhes desde cedo, aulas particulares de literatura, poesia, música e artes plásticas.
Quando ela tinha ainda quatro anos, começou a freqüentar aulas de balé clássico. Na adolescência se apresentava acompanhada dos três irmãos ao som do piano de sua mãe. Desde cedo ela dava mostras de um temperamento transgressor, que a leva a abandonar as convenções do balé da época. As técnicas convencionais do balé clássico e romântico eram extremamente rígidas. Pedia a utilização do espaço geométrico do palco de maneira axial simétrica, durante as apresentações, o homem era sempre o líder e condutor dos movimentos, auxiliando também as mulheres, que deveriam preservar uma dança discreta, e o andar suave.
Aos 11 anos, a jovem Isadora já apresentava uma sensibilidade muito particular, desenvolvendo uma maneira própria de dança. Nessa idade começou também a dar aulas de sua nova técnica. Isadora considerava antiquadas as técnicas clássicas e as sapatilhas de ponta, além de serem incômodas e deformarem o corpo feminino. Foi ela a primeira manifestação substancial do movimento de ruptura que surgiria dentro do balé e que buscava uma forma de dança mais livre e expressiva. Nas palavras dela: "A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo..."
Em sua aversão pelo balé clássico chegou ao extremo de afirmar: "eu sou inimiga do balé, o qual considero arte falsa e absurda, que de fato está fora de todo o âmbito da arte". Ao romper com os padrões clássicos, Isadora Duncan propõe uma dança liberta de espartilhos, meias e sapatilhas de ponta, apresentando-se em espetáculos solo baseados em improvisações, dando ênfase aos gestos corporais assimétricos. Seus movimentos eram inspirados nos fenômenos na natureza, como o fluir das ondas do mar, do vento, e força das tempestades.
Para sua nova expressividade, Duncan foi buscar referências nas danças rituais da Grécia antiga. Passou a dançar de pés descalços vestindo apenas coloridas túnicas de seda, o que causou escândalo entre a conservadora mentalidade da época. Sua semelhança com as danças gregas podem ser conferidas através da comparação das antigas lápides de dançarinas gregas em rituais dionisíacos com fotos das dançarinas que seguiram a linha de balé iniciada por Isadora Duncan. Revolucionou ainda o repertório musical do que era considerado apropriado para temas de dança, e incorporou a seus trabalhos, peças como as de Chopin e Wagner, que na época eram executadas tão somente para serem ouvidas. “Tive três grandes mestres, os três grandes precursores da dança no nosso século: Beethoven, Nietzsche e Wagner”, dizia ela, que gostava de citar o filósofo Friedrich Nietzsche entre os compositores alemães. Inovou também a estética do palco, utilizando tão somente uma cortina azul como cenário, que visava reforçar a importância da expressividade do dançarino sem recorrer a subterfúgios que ela considerava artificiais e “vazios”.
Durante o desenvolvimento de sua carreira, cada vez mais caminhava para um estilo pessoal único. Visando realçar a emoção do dançarino, valorizou os movimentos espontâneos, mas não ausentes de técnica. Para aperfeiçoar seu balé, se entregou a estudos aprofundados sobre a origem da dança e suas diversas expressões em diferentes culturas, tais estudos resultaram em uma série de textos e ensaios teóricos sobre a dança, o papel da cultura e a vinculação com seu trabalho. "Desde o início sempre dancei minha vida", disse ela, certa vez, demonstrando a maneira particular como encarava a sua arte.
Apaixonada pela Grécia Antiga, as túnicas vaporosas, os pés descalços e os cabelos soltos, foram a sua marca. A inspiração, essa vai buscá-la às ondas, ao vento e às nuvens... os seus modelos de movimento e disciplina rítmica.
A sua apresentação em Paris em 1902, no Teatro Sarah Bernhardt, foi um sucesso estrondoso e o início de uma série de triunfos que lhe deram notabilidade mundial.
Depois da morte trágica dos dois filhos e do suicídio do marido, ela própria morre num acidente, durante um passeio de automóvel descapotável. A sua longa écharpe enrola-se numa das rodas...FATAL! 1877-1927

Carta de e por Mario Quintana


Mario Quintana
CARTA
Meu caro poeta,
Por um lado foi bom que me tivesses pedido resposta urgente, senão eu jamais escreveria sobre o assunto desta, pois não possuo o dom discursivo e expositivo, vindo daí a dificuldade que sempre tive de escrever em prosa. A prosa não tem margens, nunca se sabe quando, como e onde parar. O poema, não; descreve uma parábola tracada pelo próprio impulso (ritmo); é que nem um grito. Todo poema é, para mim, uma interjeição ampliada; algo de instintivo, carregado de emoção. Com isso não quero dizer que o poema seja uma descarga emotiva, como o fariam os românticos. Deve, sim, trazer uma carga emocional, uma espécie de radioatividade, cuja duração só o tempo dirá. Por isso há versos de Camões que nos abalam tanto até hoje e há versos de hoje que os pósteros lerão com aquela cara com que lemos os de Filinto Elísio. Aliás, a posteridade é muito comprida: me dá sono. Escrever com o olho na posteridade é tão absurdo como escreveres para os súditos de Ramsés II, ou para o próprio Ramsés, se fores palaciano. Quanto a escrever para os contemporâneos, está muito bem, mas como é que vais saber quem são os teus contemporâneos? A única contemporaneidade que existe é a da contingência política e social, porque estamos mergulhados nela, mas isto compete melhor aos discursivos e expositivos , aos oradores e catedráticos. Que sobra então para a poesia? - perguntarás. E eu te respondo que sobras tu. Achas pouco? Não me refiro à tua pessoa, refiro-me ao teu eu, que transcende os teus limites pessoais, mergulhando no humano. O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade." E o poeta, quanto mais individual, mais universal, pois cada homem, qualquer que seja o condicionamento do meio e e da época, só vem a compreender e amar o que é essencialmente humano. Embora, eu que o diga, seja tão difícil ser assim autêntico. Às vezes assalta-me o terror de que todos os meus poemas sejam apócrifos!
Meu poeta, se estas linhas estão te aborrecendo é porque és poeta mesmo. Modéstia à parte, as disgressões sobre poesia sempre me causaram tédio e perplexidade. A culpa é tua, que me pediste conselho e me colocas na insustentável situação em que me vejo quando essas meninas dos colégios vêm (por inocência ou maldade dos professores) fazer pesquisas com perguntas assim: "O que é poesia? Por que se tornou poeta? Como escrevem os seus poemas?" A poesia é dessas coisas que a gente faz mas não diz.
A poesia é um fato consumado, não se discute; perguntas-me, no entanto, que orientação de trabalho seguir e que poetas deves ler. Eu tinha vontade de ser um grande poeta para te dizer como é que eles fazem. Só te posso dizer o que eu faço. Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas. A esta imagem respondem outras. Por vezes uma rima até ajuda, com o inesperado da sua associação. (Em vez de associações de idéias, associações de imagem; creio ter sido esta a verdadeira conquista da poesia moderna.) Não lhes oponho trancas nem barreiras. Vai tudo para o papel. Guardo o papel, até que um dia o releio, já esquecido de tudo (a falta de memória é uma bênção nestes casos). Vem logo o trabalho de corte, pois noto logo o que estava demais ou o que era falso. Coisas que pareciam tão bonitinhas, mas que eram puro enfeite, coisas que eram puro desenvolvimento lógico (um poema não é um teorema) tudo isso eu deito abaixo, até ficar o essencial, isto é, o poema. Um poema tanto mais belo é quanto mais parecido for com o cavalo. Por não ter nada de mais nem nada de menos é que o cavalo é o mais belo ser da Criação.
Como vês, para isso é preciso uma luta constante. A minha está durando a vida inteira. O desfecho é sempre incerto. Sinto-me capaz de fazer um poema tão bom ou tão ruinzinho como aos 17 anos. Há na Bíblia uma passagem que não sei que sentido lhe darão os teólogos; é quando Jacob entra em luta com um anjo e lhe diz: "Eu não te largarei até que me abençoes". Pois bem, haverá coisa melhor para indicar a luta do poeta com o poema? Não me perguntes, porém, a técninca dessa luta sagrada ou sacrílega. Cada poeta tem de descobrir, lutando, os seus próprios recursos. Só te digo que deves desconfiar dos truques da moda, que, quando muito, podem enganar o público e trazer-te uma efêmera popularidade.
Em todo caso, bem sabes que existe a métrica. Eu tive a vantagem de nascer numa época em que só se podia poetar dentro dos moldes clássicos. Era preciso ajustar as palavras naqueles moldes, obedecer àquelas rimas. Uma bela ginástica, meu poeta, que muitos de hoje acham ingenuamente desnecessária. Mas, da mesma forma que a gente primeiro aprendia nos cadernos de caligrafia para depois, com o tempo, adquirir uma letra própria, espelho grafológico da sua individualidade, eu na verdade te digo que só tem capacidade e moral para criar um ritmo livre quem for capaz de escrever um soneto clássico. Verás com o tempo que cada poema, aliás, impõe sua forma; uns, as canções, já vêm dançando, com as rimas de mãos dadas, outros, os dionisíacos (ou histriônicos, como queiras) até parecem aqualoucos. E um conselho, afinal: não cortes demais (um poema não é um esquema); eu próprio que tanto te recomendei a contenção, às vezes me distendo, me largo num poema que vai lá seguindo com os detritos, como um rio de enchente, e que me faz bem, porque o espreguiçamento é também uma ginástica. Desculpa se tudo isso é uma coisa óbvia; mas para muitos, que tu conheces, ainda não é; mostra-lhes, pois, estas linhas.
Agora, que poetas deves ler? Simplesmente os poetas de que gostares e eles assim te ajudarão a compreender-te, em vez de tu a eles. São os únicos que te convêm, pois cada um só gosta de quem se parece consigo. Já escrevi, e repito: o que chamam de influência poética é apenas confluência. Já li poetas de renome universal e, mais grave ainda, de renome nacional, e que no entanto me deixaram indiferente. De quem a culpa? De ninguém. É que não eram da minha família.
Enfim, meu poeta, trabalhe, trabalhe em seus versos e em você mesmo e apareça-me daqui a vinte anos. Combinado?
Mario Quintana

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Homem ou borboleta?


Daruma , o fundador do Zen Budismo


“Life falls down seven times, yet gets up eight…” Popular Japanese proverb



Sonho

Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo:"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sol de longe


Tarcila do Amaral

Quilômetros de di-estância envolvem meus pensamentos. Olhos d'água sempre me deixam com sede de banho. Cair em boca de amor pela manhã e nadar em suor de carinho á noite. Tudo que quero é solto . Vou leve suspirando alegre por estradas sinuosas.
Do dourado leão percebo a beleza de pêlos encaracolados e majestosos. Bonito de ver, gostoso de ter. Com desejo de pra sempre quero nadar no mundo. Vêm mais eu, vêm pra nossa caminha que já tá noitinha nesse frio paulistano. Me traz um pouco do sol desse sertão suingado . Esquenta minha imaginação que já dança um forró procurando mãos para além de corpos em vertigem . Para além de corpos estancados nus de emoção. Linhas distantes caiem com uma fúria calma na cama cheia de saudade.

Brincando de prosear



Dourado raio de sol entre por minhas entranhas
Sou voraz e estranha
mais nunca estrangeira em tuas terras
me banho em seus olhos de mar
caio profundo dentro de ti
ou tu dentro de mim?



Me envolva em seus cachos
Loiras mechas de diachos
Homem-menino toma meus pensamentos
Que já em ausência só perecem de tormentos
Volta homem meninim
Vem pra mim
Vem ver que minha boca é uma fonte sem fim

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sonho de saudade


Vladimir Kush



Ainda. Saudade. Ainda. Hoje logo nas primeiras horas do dia sonhei acordada: tinha sua boca dentro de mim e a barba roçando meu rosto. Sonhei com você dentro do meu âmago. Seus dentes rangiam um pouco e suas mãos pareciam delicados sons de veludo segurando meus seios e seus dedos singelamente olhavam para dentro dos meus poros. Pêlos, pernas enroscadas e orgasmos múltiplos: assim nascia o sol no quarto dos meus sonhos. A geografia de nervos, cabelos e músculos estavam para a anatomia física como nosso amor para o etéreo. Te engolia aos poucos e meu ser pulsante sorria. Amava á meia-luz, de dia em uma noite cinza escura. Amava e sorria dentro de você. Sede de seus beijos me colocavam no deserto do Saara mendigando sua saliva. Te necessitava todo seu, meu, todo dentro de mim. Sua imagem dentro do meu sonho se expandia e quase sumia nas entrelinhas. O que os olhos não vêem a imaginação desenha disse o menino. Que bonito o que disse o menino! Que bonito o sonho existir! Ah! Amado que há muito quero em sonhos dourados. Se não tiveres coragem de bater na minha porta eu desaparecerei da tua janela.
Que você possa me sugar até o fim, até que eu renasça fênix no céu da nossa cama. Vou embora, vou para meus aposentos, o inconsciente da noite, e te convido para que você visite minhas entranhas. Sinta-se em casa meu amado e venha para o meu sonho e me deixe te lamber, te tocar , assoprar delírios nos teus ouvidos. Mas vá embora, deixe meus sonhos amor meu, se não puderes ficar por inteiro. Não te quero pelo meio. Só tudo pode ser o suficiente quando procuramos o nada das coisas. Não suporto o nada que não contém o todo. Ainda saudade. Ainda. Assim acordei.